quinta-feira, 22 fevereiro, 2024
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Veja cinco erros que culminaram nos atos criminosos em Brasília

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Um dia após as invasões criminosas na praça dos Três Poderes, em Brasília, especialistas ouvidos pela CNN destacam os principais responsáveis pelos ataques e apontam os erros cometidos pelos governos federal e estadual.

Segundo o Coronel José Vicente, especialista em segurança pública, a Polícia Militar do Distrito Federal, há 60 anos, cuida de manifestação na Praça dos Três Poderes. Porém, o governador Ibaneis Rocha, optou por colocar na secretaria de Segurança o ex-Ministro da Justiça e ex-delegado da Polícia Federal, Anderson Torres, cuja especialidade é em investigação de âmbito federal.

“Faltou um diálogo entre o secretário e a Polícia Militar do Distrito Federal, órgão que domina o controle das ruas”, explica.

Os erros e os responsáveis

1 – Governo do Distrito Federal

Efetivo policial insuficiente
Mudança de planejamento de segurança não informada ao MJ
Alertas da Abin não levadas em conta dpelo GDF

2 – Ministério da Defesa

Acampamentos em quartéis não retirados

3 – Ministério da Justiça

Demora na ação da Força Nacional

4 – Polícia legislativa e segurança do planalto

Pouco efetivo, mesmo sabendo da manifestação e não agiu na hora certa

5 – Inteligência do governo

Não houve ação efetiva do GSI, além de ter passado por grande reestruturação

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Na visão do analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Guaracy Mingardi, os maiores culpados foram os criminosos que invadiram e atacaram os prédios dos poderes, mas o problema poderia ter sido evitado por uma ação do governo do Distrito Federal, o que não aconteceu.

“A segurança pública do estado não se mexeu. Além disso, a quantidade de pessoas que estavam lá para fazer o trabalho, o ânimo dos oficiais para agirem e o tipo de efetivo selecionado para a situação, estava abaixo do ideal. O efetivo deveria ser maior, policiais de folga deveriam ter sido chamados para reforçar a segurança mais cedo, mas o governador e o secretário não quiseram fazer o que deveriam”, avalia.

Para ele, esse ânimo do primeiro escalação do Distrito Federal acabou “contaminando” a corporação e os policiais não imaginavam que a manifestação tomaria aquela proporção.

“Não veio a ordem, o comando não tomou a iniciativa que deveria, não impôs a força necessária. Aí, o que se viu, foi que os oficiais relaxaram e deixaram a invasão acontecer sem obstrução”.

José Vicente acrescenta que o fato da PM não ter dado a resposta devida mostra uma dificuldade de transformar o fluxo de informações de ameaças em um aparato eficiente para a contensão dos invasores.

“A Abin já havia avisado pela manhã de domingo que a manifestação tinha um ímpeto agressivo de depredação. Isso significa que daria para fazer um esforço de contenção, mas foi ineficiente e incompetente pelo que se viu”, afirma o Vicente.

Responsabilidade federal

Referente às falhas no âmbito federal, Vicente explica que a Força Nacional de Segurança não é liberada pelo Ministro da Justiça. As normas é que elas devem ser cedidas ao Estado — no caso o DF — por um acordo entre o governador e o ministro.

“O ministro não pode lançar a força nacional como bem-queira. Ela existe para atender demandas dos estados e Distrito Federal, e essa conversa não existiu com nenhuma das partes”.

Outra questão citada por Vicente é em relação ao batalhão de guardas que cuidam do Palácio do Planalto e do Alvorada. “Ali se tem uma polícia do legislativo, voltada para a contensão interna. Mesmo não tendo capacidade de repelir uma invasão do Congresso, tem a incumbência de segurança do Planalto. Por que não estava lá?”, questiona.

O mesmo ponto foi citado por Mingardi. Para ele, o Ministério da Defesa, na área federal, também teve uma falha fundamental e questiona: “onde estava a guarda presidencial?”.

O analista afirma que este órgão poderia, no mínimo, impedir que os invasores entrasse no Palácio do Planalto da forma rápida como aconteceu, porém, não se viu nenhum oficial da guarda.

Além disso, Minguardi diz que o Ministério da Defesa pouco se importou em relação aos acampamentos dos golpistas em frente aos quartéis do Distrito Federal e em outras cidades do país.

Mudança na GSI

Vicente destaca uma ação do presidente Lula e sua assessoria, na qual mostra a desidratação das funções do Gabinete de Segurança Institucional.

“O GSI faz uma coleta e coordenação de informações que vêm da Abin. A assessoria do presidente, ao assumir o cargo, considerou que os integrantes desse gabinete era bolsonarista e optou por colocar a Polícia Federal para fazersua segurança”, explicou.

Com o GSI enfraquecido, Vicente diz que se perdeu uma condição de coordenação do esforço de segurança.

“Este órgão coordena não só as informações, mas o general do órgão levaria as informações para o governo do estado e procuraria saber quais as medidas deveriam ser adotadas. O entendimento de segurança, com a prioridade que deveria ter, precisava ser dessa forma”, ponta.

“Só o exército domina a logística de sistemas de crises mais complexas, no entanto, foi desperdiçada nesse tipo de situação. Então, precisa ser apurado porque o GSI não agiu nesse caso”, destaca Vicente.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Veja cinco erros que culminaram nos atos criminosos em Brasília no site CNN Brasil.

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