segunda-feira, 4 março, 2024
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Petistas apontam riscos na coalização do governo Lula

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O balanço final da montagem do governo Lula após a posse tem sido alvo de críticas por parte de petistas com que a CNN conversou nos últimos dias.

O principal ponto levantado é a forma como foi fechada a aliança com o União Brasil.

O partido ganhou três ministérios mas não garantiu o apoio formal das bancadas na Câmara e do Senado.

A leitura de parte do partido é de que o a sigla deverua ter fechado um acordo não só com o líder do União Brasil no Senado, Davi Alcolumbre, mas também com o líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento.

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Elmar foi preterido após, segundo intercolutores de Lula, petistas terem mostrado ao presidente vídeos dele xingando Lula.

Setores do PT agora tentam corrigir o erro buscando diálogo com Nascimento. A ideia em curso é oferecer a ele a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), mesmo órgão que foi oferecido a ele pelo presidente Jair Bolsonaro.

A nomeação de Daniela Carneiro, a Daniela do Waguinho, para o Ministério do Turismo também foi considerada por uma fonte petista feita “às cegas”, sem avaliação prévia de suas ligações com bolsonaristas no Rio de Janeiro.

A Folha de S.Paulo revelou ligação de Daniela com acusados de integrar milícias. O episódio tem causado desgaste ao governo.

O problema com o partido influi agora na ideia do governo de montar um bloco de maioria para a sucessão na Mesa Diretora da Câmara.

Embora o apoio à reeleição de Arthur Lira (PP) seja considerado indiscutível por petistas, o partido deseja montar um bloco com todos os partidos que integram a base para que tenha preferência nas pedidas dos principais cargos na Câmara.

A conta é que, somados, haveria 272 deputados no bloco.

No entanto, como houve problemas na estruturação da base com o União Brasil, há risco de a legenda ficar mesmo no boco de Lira, o que faria o PT não ser atendido com pedidos como a vice-presidência da Câmara e a Comissão de Constituição e Justiça.

O partido já escolheu a deputada Maria do Rosário para ocupar um cargo na Mesa.

As três pastas ao PSB também são objeto de crítica (Justiça com Flavio Dino; Indústria e Comércio com Geraldo Alckmin; Portos e Aeroportos com Márcio França), pois a legenda tem 14 deputados eleitos “apenas”, segundo alguns interlocutores.

A leitura é que o “excesso” de certos aliados que não garantem todos os votos — como o União Brasil — ou que tem poucos votos, como o PSB, acabaram preteridos, como o PV e o Solidariedade.

Além disso, há a percepção em parte do partido de que distribuição interna de cargos para o PT também deixou uma leva de insatisfeitos internamente e expôs as disputas internas da legenda, além de ter ocorrido oportunidades perdidas para contemplar aliados e dar mais segurança a base no Congresso.

Por exemplo: a ida do paulista Paulo Teixeira para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no lugar do mineiro Reginaldo Lopes. Ou a ida do tesoureiro do partido Marcio Macedo para a Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Emídio de Sousa.

Há uma percepção de que a composição acabou privilegiando o PT de São Paulo, que fez três deputados federais ministros (Paulo Teixeira, Alexandre Padilha e Luiz Marinho), em detrimento do PT mineiro. Isso a despeito de Minas Gerais ter sido mais decisiva para a eleição de Lula do que São Paulo.

O desenho é colocado na conta de Lula, que colocou dentro do palácio do Planalto apenas os petistas com quem têm maior ligação e ainda abriu espaço para que Vicentinho, político ligado ao meio sindical e amigo do presidente, conseguisse assumir o mandato de deputado. Suplente, Vicentinho assume agora como deputado federal na cadeira de Paulo Teixeira.

E também na conta de Gleisi Hoffmann, que, ao bancar Paulo Teixeira em um ministério, abriu espaço para indicar alguém para seu lugar na Executiva do PT.

A ida de três senadores para o ministério também tem sido criticada. Desde o ano passado, havia uma ideia do governo eleito de reforçar o Senado, Casa para a qual muitos bolsonaristas se elegeram.

No entanto, Flavio Dino, Wellignton Dias e Camilo Santana acabaram assumindo cargos no primeiro escalão e deixando o Senado para seus suplentes.

Isso abriu espaço para a liderança do governo ser ocupada por Randolfe Rodrigues (Rede), considerado por parte dos petistas como alguém não pragmático.

O primeiro ruído ocorreu nesta semana, quando Randolfe falou que partidos aliados tinham obrigação de votar com o governo. Acabou desmentido.

Em linhas gerais, não há sensação de que o formato final trará instabilidade ao governo, mas de que se não houver acertos na coalizão ainda em janeiro, obrigará o governo a fazer negociações pontuais com o Congresso de acordo com cada votação relevante.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Petistas apontam riscos na coalização do governo Lula no site CNN Brasil.

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