quinta-feira, 22 fevereiro, 2024
HomePolitica NacionalLula muda política externa do Brasil já na primeira semana de governo

Lula muda política externa do Brasil já na primeira semana de governo

-

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, começaram a mudar radicalmente a política externa brasileira já na primeira semana do governo petista.

O primeiro dia de trabalho do presidente já foi simbólico: ele deu expediente no Itamaraty na segunda-feira (2), onde recebeu 11 chefes de Estado e ministros de outros países que foram a Brasília para prestigiar a sua posse. Entre eles, o rei da Espanha e os presidentes de Portugal, Argentina, Chile e Colômbia.

Muito mais importante do que isso, o Itamaraty já tomou decisões práticas que revertem um certo grau de isolamento que cercou o Brasil durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diplomacia presidencial

Em primeiro lugar, o Ministério das Relações Exteriores já anunciou as primeiras viagens de Lula a cinco países que são importantes parceiros do Brasil. Essas viagens, logo nos primeiros meses de mandato, marcam a volta da chamada diplomacia presidencial –ou seja, o envolvimento direto do novo presidente nas questões mais importantes da política externa do país.

Leia Mais

Especialistas em direito discutem processo de extradição de Allan dos Santos

Governo do Uruguai diz que Lula viajará ao país em 25 de janeiro

Lula diz a ministros que festa da eleição acabou e cobra resultados

A primeira visita de Lula será à Argentina, no dia 23 de janeiro, parando na volta no Uruguai. Isso já indica uma valorização das relações com os países da América Latina, que passarão a ser uma prioridade do governo, ao contrário do que aconteceu durante os quatro anos de mandato de Bolsonaro.

Logo depois, o novo presidente irá aos Estados Unidos, Portugal e China –em datas ainda a serem confirmadas.

Volta à Comunidade dos Estados Latino Americanos

A segunda medida importante tomada pelo Itamaraty foi a oficialização da volta do Brasil à Celac, a Comunidade dos Estados Latino Americanos e Caribenhos. A entidade foi criada em 2010 para aumentar a integração e cooperação entre os países da região.

O Brasil foi uma das maiores forças impulsionando a criação do novo grupo, mas o país abandonou a organização oficialmente durante a gestão Bolsonaro. Esse movimento gerou críticas de que o Brasil estaria virando as costas à sua própria região –algo negado pelos bolsonaristas.

Com a volta à entidade, o Brasil vai procurar ter protagonismo nas políticas de integração regionais.

O terceiro movimento “universalista” aconteceu na sexta-feira (6), quando o Brasil avisou à ONU (Organização das Nações Unidas) que voltaria também ao Pacto Global para Migração Segura. Trata-se de um programa que estabelece parâmetros para a gestão de fluxos migratórios.

O Brasil deixou de participar de iniciativas sobre a implementação do documento em 2019, logo no início do governo Bolsonaro, na gestão do chanceler Ernesto Araújo, um crítico do que a direita chama de “globalismo”.

Segundo a nova gestão do Itamaraty, o retorno do Brasil ao Pacto reforça o compromisso do governo “com a proteção e a promoção dos direitos dos mais de 4 milhões de brasileiros que vivem no exterior”.

Mudança no Conselho de Segurança da ONU

Por fim, o Brasil também mudou a sua atuação no Conselho de Segurança da ONU, onde o país ocupa uma cadeira rotativa de dois anos.

Numa reunião na quinta-feira (5), o conselho discutiu a controversa visita do novo Ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, à mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém –um dos lugares mais sagrados do mundo para os muçulmanos.

A visita foi considerada provocativa pelos palestinos e outros governos do mundo árabe.

Durante as discussões no conselho de segurança, o Brasil voltou a adotar uma posição mais neutra e independente com relação ao conflito entre israelenses e palestinos, depois de o Itamaraty ter votado a favor de Israel em algumas resoluções durante o governo Bolsonaro –que via Israel como um de seus principais aliados.

Sob novo comando, o Itamaraty disse na reunião do Conselho de Segurança que a visita foi um gesto profundamente preocupante” e que pode “ampliar a violência” na região.

Isso mostrou a volta da tradicional política de maior neutralidade adotada por décadas pela diplomacia brasileira em relação a um dos conflitos mais espinhosos do mundo.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Lula muda política externa do Brasil já na primeira semana de governo no site CNN Brasil.

Related articles

Midias Sociais

0FansLike
0FollowersFollow
3,913FollowersFollow
21,500SubscribersSubscribe

Latest posts