terça-feira, 27 fevereiro, 2024
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Lula assume 3º mandato hoje com desafio de formar frente ampla no Congresso

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assume seu terceiro mandato como presidente da República neste domingo (1º), 20 anos depois de ter subido a rampa do Palácio do Planalto pela primeira vez, com o desafio de construir no Congresso uma frente ampla que lhe garanta governabilidade pelos próximos quatro anos.

Eleito em 30 de novembro, no segundo turno, com 50,9% dos votos válidos contra 49,1% de Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 2,1 milhões de votos, o petista chega ao posto máximo do Poder Executivo diante de um país dividido.

Embora tenha entregado 16 de seus 37 ministérios a outros partidos, sendo nove deles a MDB, União Brasil e PSD, siglas de centro que não o apoiaram na eleição, o terceiro governo Lula ainda não tem uma base de apoio sólida no Legislativo.

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As negociações para a formação da Esplanada dos Ministérios, consideradas “atabalhoadas” até mesmo por parte do PT, se encerram na quinta-feira (29), minutos antes de o presidente eleito anunciar no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede da equipe de transição, o desenho final de seu governo.

Nos bastidores, integrantes da cúpula do PT admitem que a fotografia do primeiro escalão “não foi a ideal”, mas dizem que, diante do cenário, “foi a imagem possível”. A avaliação dessa ala do partido leva em conta, especialmente, o acordo com o União Brasil.

Situação do União Brasil

A sigla do ex-juiz Sergio Moro —responsável por levar Lula à cadeia em 2017— indicou três nomes para a Esplanada, mas não garantiu adesão total à base do petista. O partido elegeu a terceira maior bancada na Câmara, com 59 deputados, e terá dez senadores a partir de 2023.

O presidente do União Brasil, Luciano Bivar (PE), diz que a legenda será independente ao governo, já que tem em seus quadros nomes de oposição a Lula —Moro, o principal deles.

Internamente, no entanto, aliados de Bivar dizem que o discurso de independência no Congresso é “apenas retórica política” e que as negociações serão tocadas no dia a dia.

A insatisfação dentro do partido é atribuída ao veto para o líder da legenda na Câmara, Elmar Nascimento (BA), para assumir o Ministério da Integração Nacional, e às negociações tocadas, exclusivamente, pelo senador Davi Alcolumbre (AP) —que emplacou o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), na pasta almejada pelo correligionário. Goés deve se licenciar do PDT e, em seguida, migrar oficialmente para o União.

O quadro dentro do União Brasil, que nasceu da fusão entre DEM e PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro chegou à Presidência, é um retrato dos desafios que Lula terá na relação com o Congresso, avaliam lideranças partidárias.

Mudanças futuras

À CNN, experimentados políticos fizeram projeções pessimistas, cravando que a fotografia da Esplanada do terceiro governo Lula dura, no máximo, seis meses. “O governo montou o ministério, agora tem que se mexer para montar a base no Congresso”, disse um deles, em caráter reservado.

Essas lideranças também preveem problemas na relação com o MDB da Câmara, que elegeu 42 deputados, e alertam para o fato de o PT não ter acomodado no primeiro escalão siglas que estiveram oficialmente na coligação de Lula na disputa presidencial: Solidariedade, Avante e PV.

Reviravolta política

Apesar da extensa lista de desafios a serem enfrentados a partir deste 1º de janeiro de 2023, Lula volta ao comando do Palácio do Planalto aos 77 anos, cinco depois de ter sido preso pela Operação Lava Jato. O petista ficou 19 meses, ou 580 dias, mais especificamente, detido na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba.

Nesse cenário, o retorno à Presidência da República é tratado por aliados do petista como uma espécie de redenção pessoal de Lula.

Em junho de 2021, o agora presidente eleito recuperou seus direitos políticos, após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar a atuação de Moro na Lava Jato parcial, e abrir caminho para que as condenações de Lula fossem anuladas.

Embora tenha adotado o discurso de “não ter rancor” do período em que se tornou alvo da Lava Jato, Lula volta ao poder reverenciado a política e os políticos —que caíram em descrédito durante os anos de atuação da força-tarefa de Curitiba.

Lula não faz mais questão de fazer referências explícitas à operação, mas marca posição sempre que pode. A mais recente delas foi na última quinta-feira (29), quando anunciou a formação final de seu governo.

Ele disse não ter medo de escolher políticos para compor seus ministérios. Não foi apenas uma resposta a críticas por acomodar partidos como PSD, União Brasil e MDB em seu terceiro mandato.

“No meu governo não há medo de escolher político. Porque sou daqueles que acha que, fora da política, a gente não encontra solução para quase nada neste planeta”, disse.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Lula assume 3º mandato hoje com desafio de formar frente ampla no Congresso no site CNN Brasil.

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