segunda-feira, 4 março, 2024
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Justiça mantém preso suspeito de jogar bomba em ato com Lula no Rio

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Júlia Barbom
Rio de Janeiro, RJ

O suspeito de ter jogado uma bomba caseira em meio ao ato que teve a presença do ex-presidente Lula (PT), no Rio de Janeiro, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva neste sábado (9).

Andre Stefano Dimitriu Alves de Brito, 55, disse em audiência de custódia que é pescador, ganha R$ 180 por pesca e não completou o ensino fundamental. Ele também informou que reside no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, com a família.

À polícia ele havia afirmado que não possui inclinação política e que teria jogado a bomba caseira como forma de protesto a uma alegada polarização ideológica que prejudicaria o futuro do país. A Folha ligou para sua companheira e tentou localizar seus advogados, sem sucesso.

Na audiência deste sábado, ocorrida na Casa de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio, a juíza Ariadne Villela Lopes justificou a prisão citando a gravidade do ato em local de muita aglomeração e a necessidade de desencorajar práticas violentas próximo ao período eleitoral.

“Atos dessa natureza mostram-se graves, principalmente por expor a risco concreto a integridade física de diversas pessoas, uma vez que é fato notório que no ato público em que supostamente foi praticada a conduta imputada ao custodiado havia milhares de pessoas, em aglomeração, o que dificulta a dispersão das pessoas que lá se encontravam”, escreveu.

“Por outro lado, o Brasil encontra-se em período pré-eleitoral de eleições gerais, momento em que os ânimos podem se acirrar, mostrando-se necessário o desestímulo de práticas de natureza violenta, não apenas para proteção das pessoas […], mas também para garantia de manifestações livres de pensamento, que podem restar intimidadas por práticas violentas”, completou.

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O crime de explosão está descrito no artigo 251 do Código Penal como “expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos”. A pena prevista é de três a seis anos de reclusão e multa.

Segundo a decisão, uma testemunha disse ter visto Brito portando uma espécie de bomba de fabricação caseira feita com uma garrafa plástica e um pavio, que estava aceso. A mulher então chamou a atenção de um conhecido, e ambos o viram arremessando o objeto entre as pessoas que estavam no ato, ocorrido na última quinta (7).

O artefato foi lançado do lado de fora da área isolada em frente ao palanque, antes da chegada de Lula na Cinelândia, no centro do Rio, onde aconteceu o evento. A explosão ocorreu ao lado dos banheiros químicos, seguida de um cheiro ruim sobre a área.

Participantes se afastaram correndo do ponto, que estava mais esvaziado do que a parte central da praça, mas não houve correria generalizada. Após três estampidos, a apresentadora do comício pediu calma aos espectadores. Logo em seguida, foram proferidos gritos contra o presidente Jair Bolsonaro (PL).


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Uma bombeira civil também relatou na delegacia que estava em cima do palco quando ouviu um barulho de explosão muito alto. Bombeiros que se encontravam na rua pediram a ela para descer do palco e pegar a garrafa plástica, que segundo ela estava estourada e com odor muito forte.

Já dois policiais militares afirmaram que estavam fazendo o policiamento do ato quando Brito foi até eles e disse que estava sendo perseguido por populares. A dupla pediu seus documentos, mas ele disse que os havia perdido, por isso foi colocado na viatura e conduzido à delegacia.

Eles contaram ainda que neste momento um grupo de pessoas apareceu na tentativa de linchar o suspeito, mas que isso não aconteceu por causa da presença dos policiais.

Se acordo com a juíza, a descrição do explosivo apreendido naquele dia é compatível com o objeto que as testemunhas afirmam terem visto com Brito. A Polícia Civil informou nesta sexta (8) que o artefato passaria por perícia para constatar a sua composição.


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Também foi realizada perícia no local e foram requisitadas imagens de câmeras de segurança. O celular do suspeito foi apreendido e foi requerida a quebra de sigilo de seus dados para esclarecer as circunstâncias do fato e eventual envolvimento de outras pessoas.

O episódio consolidou a avaliação da Polícia Federal de que os candidatos estão sujeitos a risco mais elevado nestas eleições do que em anteriores. A corporação decidiu antecipar e reforçar o aparato de segurança de Lula.

O ex-presidente deve ter a proteção iniciada de forma gradativa a partir do dia 21, quando o PT realiza a convenção para oficializar seu nome como candidato. No final de mês, o petista deve passar a contar com a estrutura completa.


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Fonte: Jornal de Brasília

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